Toledo

21/05/2020

Proximidade do inverno exige cuidados com a criação de peixes

O Paraná ocupa o primeiro lugar na produção nacional de peixes de cultivo, com 154.200 toneladas. O estado ainda é o maior produtor de tilápias (146.212 toneladas) respondendo por 33,8% do total da produção. Os dados são do Anuário da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR 2020). No ano passado a produção nacional de peixes de cultivo apresentou um crescimento de 4,9%, segundo o Anuário, chegando a 758.006 toneladas. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de tilápias, atrás da China, Indonésia e Egito. Mas a chegada do inverno  e o acúmulo de peixe, por causa do baixo consumo, exigem que os piscicultores adotem novas práticas de manejo, evitando prejuízos.

A região Oeste do Paraná concentra 75% do total de peixes produzidos no Estado. A tilápia, principal espécie, é criada em sistemas de viveiros escavados. O maior incentivo para a piscicultura na região vem da existência de grandes cooperativas como a Copacol, de Cafelândia, e a C-Vale, de Palotina. A região mantém ainda 22 médios e pequenos frigoríficos de tilápias que abatem em torno de 30% dos peixes criados na região.

A pandemia da Covid-19 reduziu em 50% a atividade desses frigoríficos, em virtude da queda do consumo de carne de peixe. As grandes plantas frigoríficas conseguem manter seus abates e comercialização porque têm muitos pontos de venda espalhados por todo o país. O maior problema, no entanto,  é com os pequenos frigoríficos que distribuem seus filés para consumidores próximos ou no máximo em cidades vizinhas. 
Mais peixe por tanque

Um agravante para a piscicultura da região é que há mais peixes nos viveiros. Gelson Hein, coordenador regional do IDR-Paraná em Toledo, lembra que em outubro do ano passado faltou produção para o abate, o que causou uma melhora nos preços pagos aos produtores. Isso fez com que muitos piscicultores povoassem seus viveiros novamente com tilápias e em maior quantidade. Com a pandemia e a redução dos abates, o piscicultor atualmente tem mais peixes no tanque. "Esse fato somado ao inverno, significa mais risco de prejuízos por doenças e mortalidade dos peixes", explica o extensionista.

De acordo com Hein, temperaturaS abaixo de 15°C na água, e por mais de dois dias consecutivos, causaM problemas de queda da imunidade dos peixes e facilitaM a ação de bactérias, fungos e parasitos que estão na água. "Esses agentes patogênicos podem provocar  doenças e até causar a morte dos peixes", ressalta Hein. O extensionista afirmou que para enfrentar esta situação o produtor precisa fazer ajustes na alimentação, em função da temperatura mais baixa da água.  Segundo ele, é preciso evitar sobras ou falta de ração. Hein acrescenta que outra providência que o piscicultor deve adotar é diminuir a renovação de água nos viveiros em dias frios, bem como fazer o correto manejo do oxigênio da água.

O extensionista afirma que deve-se dar especial atenção ao uso dos aeradores, para homogeneizar a temperatura da água, evitando que se formem camadas de água com temperaturas diferentes, a  estratificação térmica como definem os técnicos. Hein recomenda ainda que os piscicultores aumentem a suplementação com vitamina C na ração, principalmente para peixes menores e evitem qualquer manejo ou estresse nos peixes. Os técnicos do IDR-Paraná estão à disposição dos produtores para esclarecer dúvidas  sobre o manejo dos viveiros de peixes. Informações podem ser obtidas, por telefone, nos escritórios locais de todo o estado.


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