Emater

12/05/2020

Técnicos recomendam manejo do erval e cautela na comercialização da erva mate em tempos de pandemia

A erva mate é o principal produto florestal não madeireiro do Paraná e contribui para a renda de mais de 37 mil propriedades rurais, em 145 municípios do estado. Como não poderia ser diferente, a pandemia do coronavirus vem preocupando agricultores e indústrias ervateiras. As incertezas com a comercialização e dificuldades para transportar a produção estão entre os principais problemas enfrentados no momento, segundo um levantamento da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), Sindimate e IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater). Para enfrentar esta situação, os técnicos sugerem que o produtor mantenha o erval bem manejado e, se possível, espere o crescimento da demanda para fazer a colheita.

Dificuldades
O setor ervateiro está começando mais uma safra. Apesar disso, muitos produtores tradicionalmente não realizam podas em maio, por receio que geadas tardias prejudiquem a brotação no fim do inverno. "Cerca de 60% das indústrias estão comprando matéria-prima e já iniciaram o processo de produção, mesmo com ociosidade da capacidade de processamento. Muitos empresários têm relatado dificuldades em vendas para pequenos supermercados ou postos de venda, mantendo-se aqueles mercados que já tinham contratos fechados. Nas grandes redes a comercialização não foi afetada, mesmo com problemas de transporte", informou Amauri Ferreira Pinto, da área de Produção Vegetal do IDR-Paraná.
Outra dificuldade que o setor enfrenta, segundo o levantamento dos técnicos,  é a falta de peças para reposição e equipamentos. Além disso, a baixa oferta de mão de obra, a inadimplência de alguns pontos de venda e dificuldades de transporte também preocupam. No entanto, os empresários e produtores  acreditam que até o fim do ano o mercado se normalize.

Manejo e Produtividade
Os técnicos afirmam que, ao contrário de outras culturas, a planta de erva-mate pode esperar para ser colhida. "Nossa orientação é que o produtor melhore a produtividade, fazendo o correto manejo do erval, a roçada, a adubação e a calagem. Ele pode deixar a erva mate crescendo no campo enquanto não tiver demanda, como uma poupança verde. Quando a procura aumentar ele colhe. A erva mate não tem urgência de ser colhida", destacou Jonas Bianchin, do IDR-Paraná de União da Vitória, região que concentra grande número de produtores de erva mate. Bianchin lembra ainda que os produtores que vão implantar novas áreas com erva mate devem fazer o plantio bem sombreado, para que as mudas não sejam atingidas por geadas.
Atualmente os preços pagos ao produtor não estão variando muito em relação à safra passada. Os valores ficam em torno de R$17,80 por arroba posto fábrica, R$14,10 no barranco e R$11,30 em pé.  A  indústria prefere comprar a erva-mate posta na fábrica, para não envolver pessoal próprio no trabalho de poda ou transporte.

Variedade para o consumidor
Os dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), de 2018, mostram que a erva-mate representava 14% das receitas dos produtos florestais do Paraná ou R$ 589,7 milhões. Além das indústrias paranaenses, diversas empresas gaúchas e catarinenses processam a erva-mate do Paraná. O Rio Grande do Sul é maior consumidor de erva-mate no Brasil e importa do Paraná 50% da erva-mate que consume. Como boa parte da produção paranaense tem origem em ervais nativos ou sombreados, onde a erva mate é manejada com outras espécies florestais naturais, seu cultivo promove a conservação da floresta nativa e a produção de uma das melhores ervas do mundo, segundo especialistas. O consumidor, que tem interesse em ajudar a economia local deve adquirir a erva-mate produzida em seu município ou região. Variedade não falta, já que o Paraná tem 111 ervateiras.

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