Cianorte

04/11/2019

Tomate agroecológico e uso múltiplo viabilizam pequenas propriedades

A produção agroecológica de tomate vem ganhando espaço e novos adeptos em todo estado. Na Vila Rural de Cidade Gaúcha a novidade chegou este ano, levada aos produtores pela equipe de extensionistas do município. A produção de tomates sem o uso de agrotóxicos está conquistando o mercado. Além disso, está aumentando os ganhos dos pequenos produtores, já que o preço do tomate  agroecológico no mercado chega ao dobro do valor do produto convencional.

Antonio Carlos Pereira trabalhou durante anos numa usina de cana, em Cidade Gaúcha. Decidido a lidar com hortaliças ele procurou os técnicos do Instituto  Emater pois não queria usar veneno no cultivo no seu lote localizado na Vila Rural do município. Os extensionistas José Aridiano e Gregory Fedri passaram a acompanhar o agricultor e apresentaram a ele um protocolo de produção agroecológica. O trabalho começou em abril deste ano e foram plantados  1.000 pés de tomate, a céu aberto.  Antonio Carlos adotou todas as práticas orgânicas para o controle de doenças e pragas do cultivo de tomate. Ele só manteve a adubação química, via fertirrigação. 

Em plena colheita, que termina em trinta dias, o agricultor comemora os resultados. Segundo ele, o tomate colhido e vendido já pagou todos os custos de implantação do cultivo. Porém, os extensionistas preferem ser mais cautelosos. Eles disseram que só ao final da safra, conhecendo exatamente quanto foi produzido e vendido, será possível saber a margem de lucro do agricultor. José Aridiano acrescentou que o apelo de ser um produto agroecológico está ajudando na comercialização do tomate produzido na Vila Rural. "Em alguns momentos, quando a caixa de 22 kg de tomate convencional  estava sendo vendida a R$40, o agroecológico chegou a R$80", informou o extensionista. Além de comercializar a produção em mercados de Cidade Gaúcha, o produtor já está atendendo compradores de Tapira e Umuarama. O sucesso foi tamanho, que Antonio Carlos está se preparando para aumentar o cultivo em mais 1.000 pés de tomate.

Natália Rodrigues, responsável pelo escritório local do Instituto Emater em Cidade Gaúcha, lembra que esse trabalho só foi possível graças à atuação conjunta dos técnicos. "O principal objetivo é gerar mais renda para o produtor. Trabalhamos de forma integrada, com produção diversificada em uma área inferior a 5.000m².  Além do tomate, o Antonio Carlos produz tilápia, ovos,  frangos caipiras e outras olerícolas. A água do tanque  é usada para irrigar a cerca viva de napier. Futuramente vamos adequar a ração dos peixes para que essa água irrigue as olerícolas", informou Natália.

A produção agroecológica vem despertando a atenção dos demais produtores da Vila Rural. Além de Antonio Carlos, o tomate sem agrotóxico já foi implantado também por Cezar Cândido e Aparecido Berci. A iniciativa mostra que é possível produzir e obter renda na propriedade mesmo em uma área reduzida. O  desafio dos produtores, agora, é fazer a transição para a produção orgânica e conseguir a certificação.

Roberto Corredato, gerente regional do Instituto Emater em Cianorte, destaca que a produção agroecológica está entre as principais atividades da região. “Estamos trabalhando inicialmente com a produção de hortifruti e os resultados já estão aparecendo. O mercado consumidor está à procura desses produtos. Além disso, o governo do Estado assumiu o compromisso de até 2030 realizar a entrega de produtos orgânicos na merenda escolar. Em consonância com essa meta governamental, o Instituto Emater vem preparando seus técnicos e produtores assistidos para cumprir esse desafio e entregar produtos saudáveis à população”, concluiu.

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