Santo Antônio da Platina

12/06/2019

Programa Família Paranaense investe R$850 mil na região Norte Pioneiro

Até pouco tempo atrás a produção de frutas ou hortaliças era impensável para um grupo de famílias rurais da região de Santo Antonio da Platina. A situação começou a mudar a partir de 2015 com a criação do programa Família Paranaense – Renda Agricultor Familiar. Em quatro anos foram aplicados R$ 850 mil, em onze municípios, beneficiando 289 famílias que passaram a investir em atividades produtivas, gerando renda no meio rural. O programa ganha especial importância na região de Santo Antônio da Platina, onde mais de 20% dos agricultores tem renda inferior a dois salários mínimos por família.

Sebastião Lepping e Gevalda Regina Correa fazem parte do grupo de 34 famílias de Wenceslau Braz que foram beneficiadas pelo programa. Em outubro do ano passado o casal implantou um pomar com 400 pés de maracujá, com a orientação do extensionista Felipe Abboud, e recursos do Família Paranaense. A colheita, iniciada em janeiro deve render uma produção de seis toneladas da fruta. Para a família, o maracujá significou muito mais que uma alternativa de diversificar a produção, já que a sericicultura era a principal fonte de renda na propriedade. Foi a fruticultura que possibilitou ao casal trazer para a propriedade o filho que estava trabalhando na cidade. "Com o maracujá o Leonardo, de 19 anos, pode permanecer no sítio e trabalhar com a família", observou Sebastião. O maracujá deu novo ânimo ao agricultor que pretende aumentar a área com a fruta na próxima safra, passando de 2.500 para 5.000 metros quadrados. Toda a produção é vendida em mercados do município e região, além de uma indústria em Santana do Itararé. Sebastião também quer plantar tomate, mas vai começar com poucos pés, para aprender a lidar com a hortaliça.

Tomate
Em Jundiaí do Sul, o casal Antônio e Elcione decidiu investir em uma estufa para produção de tomates. Segundo Pedro de Oliveira Gomes que acompanhou o casal, a produtividade chegou a nove quilos por planta. Um bom resultado para quem era iniciante na olericultura. “Nós nunca tínhamos trabalhado com a produção de tomate. Hoje com a renda da primeira estufa queremos investir em duas outras e aumentar a produção” ressalta Elcione. Os tomates produzidos estão sendo vendidos em feiras, no comércio local e na própria comunidade. O casal está em processo de certificação da área com tomate para obter o selo de produto orgânico, o que deve melhorar o rendimento da atividade.

O tomate também virou fonte de renda para o casal Hamilton dos Santos e Lurdes Izabel, de Curiúva. Tradicionais cafeicultores do município, eles decidiram investir no plantio de tomates sem usar agrotóxico. Eles plantaram inicialmente 500 pés de tomate que já iniciaram a produção. A estimativa é que o agricultor colha até 7 kg de tomate por pé, em três meses. O casal já deu entrada no processo de certificação, pelo Programa Paraná Mais Orgânico, em parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa. Enquanto não sai a certificação, o tomate é vendido como convencional nos mercados locais. O produtor calcula que o lucro com a hortaliça chegue a R$2.000 por mês. Esse valor deve dobrar quando Hamilton conseguir o certificado de produtor orgânico. "Esse projeto foi uma oportunidade para aumentar nossa renda,. Além disso, minha esposa não precisar mais trabalhar na cidade. Queremos construir mais uma ou duas estufas para o plantio de tomate orgânico”, acrescentou o agricultor. Para garantir o sucesso do empreendimento, Hamilton conta com visitas semanais do extensionista Heros Mainardes que dá todas as orientações sobre o manejo orgânico do cultivo de tomate.

Investimentos
O programa Família Paranaense é coordenado pela Secretaria Estadual da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf) e desenvolvido em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). As famílias beneficiadas passam por uma seleção no o CRAS dos municípios. A partir daí recebem um valor financeiro fixo de R$3.000. Os beneficiados também têm o acompanhamento dos extensionistas do Instituto Emater para decidir onde os recursos serão investidos. Uma parte da verba é aplicada em melhorias do saneamento básico e o restante em atividades produtivas. A estimativa do programa é investir R$ 16 milhões e atender 5,6 mil famílias até final de 2019 em todo Paraná.
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