Santo Antônio da Platina

10/06/2019

Fruticultura estimula permanência de jovens no meio rural

Em todas as regiões do país a área rural continua perdendo população para os centros urbanizados. A falta de opções de trabalho é a principal causa desse êxodo, sobretudo de jovens com idade entre 15 e 29 anos. Na região Norte Pioneiro a fruticultura vem se firmando como alternativa para que jovens permaneçam nas propriedades rurais. Há quatros anos a prefeitura de Ibaiti, o Núcleo Regional de Educação, Colégios Estaduais do Campo e Instituto Emater executam o projeto Jovens Fruticultores. Cem jovens já passaram por essa capacitação e alguns deles já estão conseguindo uma boa renda com o cultivo de abacaxi e maracujá.

Em 2017 foram implantadas três unidades de abacaxi, somando 10 mil pés da fruta. Outros três jovens optaram pelo maracujá e cada um deles plantou 400 pés, sempre com o apoio da prefeitura de Ibaiti. A fruticultura foi implantada nas propriedades que atenderam a alguns critérios, como o apoio da família e condições adequadas do solo. Além de conhecer a cultura sob o ponto de vista técnico, os jovens também fizeram cursos sobre a comercialização de hortifruti e a importância do cooperativismo para garantir a colocação dos produtos no mercado.

Colhendo frutos
Eduardo Dias, técnico agrícola de 22 anos, aceitou o desafio de produzir frutas no Norte Pioneiro. Ele viu no projeto uma oportunidade para melhorar a situação da família, os pais e dois irmãos, que vivem numa propriedade adquirida pelo programa Banco da Terra. O cultivo de café e a produção de leite eram as principais fontes de renda, mas Eduardo resolveu apostar na fruticultura. Em 2017 ele plantou 2.500 mudas de abacaxi e 400 pés maracujá.

A estimativa é que Eduardo já tenha colhido 700 kg de maracujá, comercializados em média a R$5,00 o kg. O cultivo de abacaxi já rendeu em torno de 1.800 frutos, vendidos a R$5,00 a unidade, em média. A comercialização está sendo feita diretamente com os consumidores, além da cooperativa de produtores e mercados em Ibaiti e municípios vizinhos.

Eduardo quer continuar na propriedade pensa em investir na ampliação dos cultivos de frutas. O jovem participa ativamente da gestão da propriedade, junto com os pais. Eduardo motiva e inspira outros jovens do projeto. "Para nós da extensão rural é gratificante perceber as mudanças pelas quais vem passando a família, em especial o Eduardo. Hoje ele tem seu espaço na propriedade e uma opção de melhoria da renda para si e para a família, permitindo que ele fique na propriedade" diz a extensionista Luciana Morais.

Segundo Eduardo, o projeto confirmou a viabilidade de se trabalhar com a produção de frutas. "No meu caso, o projeto viabilizou o início da fruticultura, propiciando a minha permanência na propriedade. Além disso, ainda adquiri muitos conhecimento nas palestras e outros treinamentos que foram ministradas por pessoas que realmente dominavam o assunto", observou Eduardo.

De acordo com Luciana de Morais, do Instituto Emater de Ibaiti, além de levar informação técnica por meio de cursos e oficinas, o projeto Jovem Fruticultor também incentiva a organização produtiva dos jovens rurais do município e microrregião. "A partir dessa capacitação será possível diversificar a produção nas propriedades, com geração e apropriação de renda pelos jovens", afirmou Lucian. Os participantes do projeto contam com a orientação de técnicos do Instituto Emater e de um professor ou pedagogo vinculado a cada colégio do campo. Todos os treinamentos e cursos são custeados pelo programa estadual Pró Rural. Os bons resultados obtidos pelo projeto já despertaram o interesse de outros municípios da região. O exemplo de Ibaiti vai servir de referência para novas ações dirigidas aos jovens no Norte Pioneiro.
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.