Apucarana

28/05/2019

Cambira será exemplo na implantação de Zona de Proteção Verde

Em 2017 moradores do município de Luiziana, região de Campo Mourão, relataram diversos problemas de saúde causados pela aplicação excessiva de agrotóxicos. Dores de cabeça, enjôo e mal-estar eram comuns entre a população das áreas limítrofes com as lavouras. O caso despertou a atenção do Ministério Público do Paraná que fez um alerta aos profissionais que recomendam a aplicação de agrotóxicos na região do Ivaí. A sugestão foi a criação de uma Zona de Proteção Verde para diminuir os impactos do uso de defensivos químicos na bacia hidrográfica do Alto Ivaí. Os produtores dessa área serão incentivados a adotar práticas de baixo impacto ambiental. O projeto foi encaminhado para 72 municípios e Cambira será o primeiro a colocar em prática a recomendação do MP, servindo de referência para todo o Paraná.

A Zona de Proteção Verde deve ser composta por duas fileiras de árvores e espécies arbustivas, preferencialmente nativas. Essa proteção estabelece uma distância mínima de 50 metros com as áreas urbanas que fazem limite com a zona rural. Esses locais devem ficar livres da aplicação de agrotóxicos, devendo ser explorados com sistemas orgânicos ou agroecológicos. Quando a faixa não tiver árvores a distância passa para 300 metros.
A Câmara municipal de Cambira regulamentou a proibição do uso de qualquer agrotóxico nas proximidades de escolas, centros municipais de educação infantil, unidades de saúde e núcleos residenciais. O uso desses produtos só pode ser feito a uma distância de 50m ou 300 metros desses estabelecimentos, conforme a recomendação do MP. As espécies que compõe a barreira não devem ser frutíferas. Uma delas deve ter crescimento rápido e arbóreo e outra é formada por arbustos nativos. Em audiência pública, realizada em novembro do ano passado, o MP estabeleceu o prazo para que os produtores de adaptem às normas. O agricultor que lida com as culturas anuais tem até três anos para abandonar o uso de agrotóxico. Para quem trabalha com culturas perenes (café, uva, banana) o prazo é de dez anos.

Para fazer frente à nova realidade o Sistema Faep/Senar, Iapar, universidades, cooperativas, prefeitura de Cambira e Instituto Emater definiram um plano de capacitação dos agricultores. Com isso os produtores do município poderão fazer a conversão dos atuais sistemas convencionais em atividades de menor impacto ambiental. Uma das grandes preocupações é a situação das 13 propriedades que têm parreirais produzindo no município. De acordo com o técnico do Instituto Emater de Cambira, Leandro de Araújo, eles já vêm usando métodos alternativos para controlar as pragas. Agora os vizinhos também devem adotar práticas agroecológicas, evitando prejuízos causados pela deriva, quando o agrotóxico lançado sobre uma lavoura é levado para outros cultivos pelo vento.

Neste mês o Instituto Emater iniciou o processo de capacitação dos agricultores para que eles possam diminuir ou abandonar o uso de agrotóxicos. A capacitação terá continuidade nos próximos meses, e contará com a realização de cursos, excursões técnicas, reuniões práticas e dias de campo abordando a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, a agricultura sustentável, práticas agroecológicas, produção certificada, cultivos alternativos e proteção de nascentes.
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.