Laranjeiras do Sul

01/03/2019

Projeto Leite Competitivo Sul Cantu aumenta produtividade e rentabilidade da atividade leiteira

Até pouco tempo atrás a produtora Elizandra Kulkamp Jackes, de Marquinho, mantinha um rebanho de gado leiteiro pouco produtivo. As pastagens mal formadas, sem correção e adubação do solo, não permitiam que a produção diária das nove vacas em lactação superasse os 54 litros de leite. Em julho de 2017, a propriedade passou a ser atendida pela extensionista Milena Mateus, do Instituto Emater, pelo projeto Leite Competitivo Sul-Cantu. A implantação de pastagens de qualidade, o uso de concentrado na dieta das vacas e a melhoria da qualidade do leite deram resultado. Em pouco mais de um ano a produção saltou para 85 litros/dia. A família de Elizandra se animou e agora pretende implantar outras melhorias e chegar à produção de 200 litros/dia.

O segredo do sucesso de Elizandra está na assistência técnica que fez um diagnóstico da propriedade e apontou algumas soluções para as dificuldades que a produtora enfrentava. Nas áreas de pastagens perenes foram realizadas análises de solo por piquete. O pasto foi reformado e, em alguns casos, uma nova pastagem foi implantada com a aplicação correta de calcário e adubos.
Elizandra também mudou a forma de lidar com os animais. Ela passou a fazer a complementação da alimentação do rebanho no cocho, seguindo a orientação técnica de dar mais ração para as vacas com maior produção. As bezerras, que vão formar o plantel da propriedade no futuro, passaram a ser acompanhadas e tratadas com protocolos técnicos de alimentação e manejo. São práticas simples como a introdução gradativa de ração, a pesagem mensal, a cura do umbigo, a descorna e a construção de abrigos individuais para as bezerras.

Mais qualidade
Elizandra também adotou boas práticas de ordenha. Graças a essa iniciativa foi possível verificar avanços na qualidade final do leite, o que é comprovado pelas análises mensais da produção, feitas no laboratório da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH). A receita com a produção de leite teve aumento de 78% em um período de um ano. Além do acompanhamento da extensionista do Instituto Emater, Elizandra também participou de diversos cursos de capacitação em pecuária leiteira. Os bons resultados despertaram interesse em investir na atividade. A família já está planejando o aumento da área de pastagem, além da construção de uma sala de alimentação, melhorias na sala de ordenha, construção de esterqueira e uso da inseminação artificial.
O projeto

O caso de Elizandra não é o único no estado. Assim como a produtora de Marquinhos, outros agricultores familiares estão conseguindo aumentar a rentabilidade da atividade leiteira, apoiados na assistência técnica. Eles fazem parte do projeto Leite Competitivo Sul Cantu, implantado pela Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, em 2015, e executado pelos extensionistas do Instituto Emater e parceiros. O projeto envolve 537 produtores de 28 municípios das regiões de Curitiba, Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul, Ponta Grossa e União da Vitória. O público é formado, prioritariamente, por produtores com pequena escala de produção, baixa produtividade, renda insuficiente pra investir em inovação tecnológica, sem acesso a informação, recursos e assistência técnica.

Os técnicos implantaram 60 unidades de referência em propriedades familiares que recebem acompanhamento sobre gestão, implantação e manejo de pastagens de qualidade, planejamento forrageiro, produção de silagem e feno, manejo sanitário, manejo nutricional, manejo reprodutivo, bem-estar animal e garantia da qualidade do leite. Essas propriedades servem de exemplo para a vizinhança, mostrando os resultados das tecnologias difundidas pelos técnicos.

O diferencial do projeto Leite Competitivo Sul Cantu é o seu formato metodológico. Os técnicos executam o trabalho em três etapas: preparo do ambiente de trabalho, planejamento e consultoria na unidade de produção selecionada, assistência técnica intensiva e continuada. Em conjunto com o produtor o técnico estabelece as prioridades técnicas e o plano de ação para cada propriedade. O proprietário firma com o técnico um contrato e estabelece as suas responsabilidades.

Depois de um ano de trabalho os técnicos concluíram que os participantes do projeto conseguiram aumentar a produção leiteira em 32%. Nas Unidades de Referência o aumento foi maior, 47%. A produção diária de leite também subiu, 30% nas propriedades assistidas e 39% nas URs. A margem bruta de lucro das propriedades aumentou em 44% e nas URs chegou a crescer 57%.
Produção Paranaense

A implantação do projeto pela Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento leva em conta a importância econômica e social da atividade leiteira para o estado. A produção de leite representa 7% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná. Segundo levantamento de 2017 do Departamento de Economia Rural da Seab, a produção leiteira é a quarta atividade agrícola mais importante do estado e está presente em todas as regiões paranaenses. São 87.048 estabelecimentos produzindo leite. Na região sul em geral, a produção de leite é uma atividade desenvolvida predominantemente em pequenas unidades de produção familiar. No Paraná, 84% dos estabelecimentos produtores de leite têm até 20 ha de pasto e detêm 72% da produção total de leite do estado
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.