Campo Mourão

06/12/2018

Campo Mourão recebe Giro Técnico da Embrapa

O Instituto Emater e a Embrapa realizaram esse ano a quarta edição do Giro Técnico para a cultura da soja na região de Campo Mourão. Cerca de 75 pessoas, entre produtores, técnicos e lideranças participaram da atividade, em Mamborê, no dia 22 deste mês.

O produtor Antônio Targa recebeu os visitantes para mostrar os resultados que conseguiu com a unidade de referência em Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP/MID) instalada em sua propriedade. Em Peabiru, no dia 23, as atividades aconteceram na propriedade de  Bruno Peralta, na  comunidade Placa União, onde também há uma unidade de referência para os grupos de agricultura familiar atendidos pelo Instituto Emater. Além do MIP/MID, os agricultores também conheceram as vantagens da tecnologia da coinoculação de sementes de soja.

Os pesquisadores da Embrapa e extensionistas do Instituto Emater falaram também sobre a necessidade dos produtores realizarem o monitoramento semanal das lavouras com o pano de batida. A tecnologia foi desenvolvida pela Embrapa e visa avaliar a população de pragas presentes na lavoura, bem como a presença e quantidade de inimigos naturais dessas pragas. Desta forma, o produtor fará o controle químico somente quando necessário, ou seja, no momento em que a infestação de pragas atingir um nível de dano econômico, o que é  estabelecido pela pesquisa.

Menos insumos


O MIP/MID tem o potencial de reduzir consideravelmente o uso de agrotóxicos ao longo do ciclo das lavouras. Um trabalho do Instituto Emater constatou que nos últimos cinco anos foi possível reduzir a aplicação de defensivos em até 50% nas lavouras acompanhadas. Na safra 2017/2018, duas lavouras que contaram com a orientação dos extensionistas da região de Campo Mourão sequer necessitaram pulverizações de inseticida, sem qualquer prejuízo à produtividade.

Um bom manejo das lavouras também pode evitar a aplicação de fungicidas. neste ano a ferrugem asiática, principal doença da soja, apareceu precocemente nas lavouras paranaenses e tem causado grande preocupação entre os agricultores. Devido ao elevado potencial de prejuízo, tem-se preconizado o controle preventivo da doença. 

No entanto, existe a alternativa de fazer o acompanhamento da chegada da doença na lavoura, com o uso do coletor  de esporos, equipamento desenvolvido pelo pesquisador Seiji Igarashi e adaptado pelos técnicos  do Instituto Emater.  O equipamento captura os esporos, responsáveis pela disseminação da ferrugem, carregados pelo vento e sua presença numa região confirma a necessidade da aplicação de fungicidas. Na região de Campo Mourão a presença desses esporos já foi detectada  em 07 de 19 coletores instalados. Os resultados podem ser verificados no site do Instituto Emater, na página do Alerta Ferrugem (http://www.emater.pr.gov.br/).

O uso de fungicidas sem critérios técnicos, por sua vez, pode reduzir a eficiência desses produtos, segundo a avaliação dos pesquisadores da Embrapa. Portanto, o uso dos coletores pode contribuir positivamente para manter a eficácia desses produtos, reduzir custos e diminuir impactos ambientais.

Inoculação

A inoculação de sementes de soja com dois tipos diferentes de bactéria podem aumentar consideravelmente a produtividade das lavouras: o Bradyrhizobium  supre as necessidades de Nitrogênio da planta e o Azospirillum estimula o crescimento radicular e potencializa a fixação biológica do Nitrogênio. A prática dispensa qualquer suprimento de Nitrogênio às plantas por meio de adubações químicas e tem um potencial de aumentar a produtividade da lavoura em 16%.
Nesta safra foram instaladas  oito unidades de demonstração dessa tecnologia na região de Campo Mourão e os resultados serão avaliados no final da safra. De acordo com avaliações da Embrapa, atualmente 50% dos produtores do estado adotam essa tecnologia e o desafio da Extensão Rural é aumentar o alcance dessa prática.

Nelson Harger, coordenador estadual do Projeto Grãos do Instituto Emater, ressaltou que o Giro Técnico tem por objetivo avaliar as tecnologias aplicadas no campo, oportunizar a técnicos e produtores o debate com pesquisadores sobre essas tecnologias. "O giro demonstra a possibilidade concreta de uma produção sustentável de grãos. indica que é possível reduzir o número de aplicação de agrotóxicos, preservar os inimigos naturais das pragas, contribuir para a permanência no mercado de inseticidas e fungicidas eficientes, além de aumentar a produtividade e a rentabilidade com a adoção de tecnologias de baixo custo", concluiu Harger.
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