Emater

02/05/2018

Não é uma despedida e sim um reconhecimento.

Com esta afirmação, o Diretor Presidente do Instituto Emater homenageou, no último dia 30 de abril, os funcionários da Unidade estadual que aderiram ao PDV – Programa de Demissão Voluntária.

No Estado, 290 funcionários estão se desligando da instituição e a expectativa é de que a contratação dos novos extensionistas seja anunciada nos próximos dias. De acordo com a diretoria, o objetivo da mudança no quadro é manter a Emater como referência de apoio aos agricultores e de assistência técnica rural no Brasil. “A renovação é necessária, já que a última nomeação de técnicos para o Instituto aconteceu em 2016. Os servidores que estão saindo, fazem parte do quadro são celetistas e os novos entrarão como estatutários no quadro próprio do Instituto Emater, o que reduzirá em um terço os encargos sociais”, explicou Rubens Niedertheitmann diretor-presidente do Instituto Emater que também aderiu ao programa .

Para a maior parte desses funcionários suas vidas e a Extensão Rural se fundem inegavelmente. "A Emater foi meu primeiro trabalho fora da casa dos meus pais. Eu ajudava numa empresa familiar e quando me formei em Agronomia fui selecionado e contratado pela Acarpa, em 1979. Trabalhei inicialmente em Ponta Grossa, depois no litoral, onde fui coordenador do escritório regional de Paranaguá. Em 1987 fui chefiar o escritório regional de Curitiba", conta Rubens Niederheitmann. Ele ainda passaria por várias funções de gerência e coordenação de área até assumir a função de diretor-técnico do Instituto em 1998. No ano seguinte, Niederheitmann foi escolhido para presidir a Emater por quatro anos. Depois disso, trabalhou na FAEP, por meio de convênio com a Seab. Em meados de 2000 assumiu a presidência do Instituto Emater função na qual ficou até a decisão de aderir ao PDV. "Acho que a maior conquista à frente da Emater era contratar novos extensionistas e isto está se concretizando agora. Pessoalmente me sinto realizado. Aqui aprendi a trabalhar em equipe, a reconhecer a importância do trabalho da extensão para os agricultores.Tudo o que eu conquistei na vida foi graças aos 39 anos e 5 meses de trabalho na Emater", concluiu Niederheitmann. 

Ramona Centurion completou 54 anos de Instituto Emater.  Sua carreira na Extensão começou em 1964, quando foi admitida, aos 16 anos, como auxiliar de Escritório, em Guaíra. Quatro anos depois foi convidada a trabalhar em Curitiba onde passou por diversos setores administrativos. Foi a primeira funcionária da Emater a efetuar compras e também implantou os processos licitatórios na empresa. Nesse tempo, formou-se em Administração e chegou ao cargo de Coordenadora da Área de Administração. “Eu fui muito bem acolhida na Emater e transformei a empresa e os colegas de trabalho em parte da minha família. Tenho muito orgulho do trabalho que fizemos. Fico feliz em saber que eu contribuí, de certa forma, para a execução do trabalho dos técnicos no campo. Conheço as dificuldades que eles enfrentam e sempre tentei ajudar”, ressaltou. Mesmo cumprindo um período de férias já vencidas, Ramona continua indo à Emater. “Estou fazendo um trabalho quase voluntário para encaminhar todo o trabalho para quem assumir o setor. São processos que não podem ser interrompidos. Tenho que deixar tudo encaminhado para que não haja problemas”, informou.

Em 1971 João Carlos Zandoná começou a trabalhar como auxiliar administrativo na Acarpa (Associação de Crédito e Assistência Rural do Paraná) que viria a se tornar o Instituto Emater.  Aos poucos ele construiu sua carreira, mas chegou num ponto em que precisava mudar de rumo. Orientado pelo então presidente Rubens Rezende decidiu fazer o curso de Agronomia. Estudou e foi contratado como agrônomo. Em 1980 assumiu o escritório de Colombo. Depois foi para a Ceasa lidar com a comercialização e extensão. Passou ainda por outros municípios, pelo Iapar e Programa Paraná 12 Meses. Em 2010 foi convidado para assumir a direção do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) onde permaneceu até aderir ao PDV. “Passei mais de dois terços da minha vida na Emater e só tenho que agradecer o aprendizado e o companheirismo dos amigos. Aprendi a valorizar o homem do campo e o seu trabalho. Tenho ciência de que meu dever foi cumprido. Espero que os novos possam oxigenar a empresa, que ela se recicle e se posicione em prol do homem do campo”, concluiu Zandoná.

Para Edson Racoski, responsável pela sonoplastia do programa O Homem e a Terra, transmitido para todo o estado, o Instituto Emater significou 42 anos de vida profissional. A cada dia ele escolheu músicas e efeitos sonoros para embalar a mensagem extensionista veiculada nas emissoras paranaenses. Nos primeiros dois anos, Racoski se dividiu entre a Emater e uma emissora de rádio de Curitiba. Em 1978 optou por ficar só na empresa onde permaneceu por mais 40 anos. “Esse tempo na empresa foi ótimo, aprendi muito. Fomos solucionando os problemas que iam surgindo para colocar o programa no ar. Saio com o sentimento de dever cumprido e contente com o resultado do trabalho”, acrescentou.

A voz do programa O Homem e a Terra também vai mudar nos próximos dias. Ramon Enes Ribeiro- jornalista redator e locutor- aderiu ao PDV e está gravando os últimos programas neste mês. Ele foi admitido na Emater em 1976, com a função de escrever os roteiros do programa diário que, à época, tinha várias edições regionais. Não demorou muito para que ele dominasse o assunto e passasse a desempenhar outras funções como produzir vinhetas e criar “jingles” para campanhas da Emater. Ramon também foi editor, repórter e apresentador do programa Vida no Campo que o Instituto Emater manteve em emissoras regionais de TV do estado por quase três décadas. Nos últimos quinze anos o jornalista incorporou, como ninguém, a voz extensionista no rádio. Com seu jeito peculiar estabeleceu uma relação de amizade com os ouvintes que o acompanharam nesse tempo. Relação próxima confirmada pelas centenas de mensagens recebidas pelo whattsapp todos os dias.

Agora o Instituto Emater enfrenta o desafio de manter a qualidade dos seus serviços, ainda que não possa contar com os funcionários mais experientes. É a oportunidade para que novos talentos também escrevam sua história junto com os novos rumos da Extensão Rural no Paraná.
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