Curitiba

28/09/2012

Dia de campo mostra secador de resíduos orgânicos

O Ecodryer, nome dado ao equipamento desenvolvido pela Akhenaton Equipamentos e a SHV/Supergásbras e com o apoio do Instituto Emater, é resultado de quatro anos de experiências. O equipamento foi criado inicialmente para a secagem de plantas em geral, porém, como havia o interesse em secar outros produtos, os técnicos do Instituto Emater repassaram às empresas as necessidades dos agricultores. O protótipo mostrado no dia de campo se destina à secagem de diferentes produtos, desde o lodo de esgoto até restos de alimento e celulose. Willem Alvise, engenheiro da SHV, disse que mais de 60 produtos foram secados na máquina com sucesso. “O secador trata termicamente o resíduo, retirando sua umidade. Com isso é possível diminuir o custo de transporte desse material, concentrar as propriedades dos restos orgânicos para o uso como componente de ração e consequentemente diminuir o volume desse material que vai para os aterros”, explica Alvise. Ele acrescentou ainda que o equipamento é desenvolvido conforme a necessidade de cada cliente e a sua capacidade varia de 200 quilos até três toneladas de resíduos secos por hora. Alvise informou que o Ecodryer é operado com GLP, submete os restos alimentares a altas temperaturas e pode ser usado por redes de supermercados, restaurantes, Ceasas ou pelos próprios suinocultores. Ele adverte que o resíduo deve ser analisado, posteriormente, para que tenha um destino adequado após o tratamento.
O interesse dos dirigentes da Suinosul é tratar restos de alimentos para o uso como componente da ração animal. De acordo com o professor João Scandolera, do Departamento de Zootecnia da UFPR, os resíduos devem ser considerados “remanescentes orgânicos” e não lixo. No entanto, ele lembra que para o uso na alimentação dos animais o material deve passar por um tratamento prévio para evitar contaminação. Os representantes dos órgãos ambientais e do MAPA presentes no dia de campo informaram sobre a legalização do uso desses resíduos como alimento. Abel Neto, do Ministério da Agricultura, afirmou que um dos maiores cuidados é com a disseminação de elementos que causem doenças como a salmonela, os vírus da aftosa ou da peste suína. Ele disse que a lei brasileira proíbe o uso de qualquer alimento de origem animal in natura na dieta de ruminantes. “Como cidadão, preocupado com o destino dos resíduos sólidos, o equipamento é perfeito. No entanto, como agente do Mapa temos que primar pela aplicação da lei. E o projeto fica num vácuo legal por criar uma máquina que pode não atender as exigências legais”, disse. Ele lembrou que é importante que seja feita uma discussão para que o equipamento em estudo seja adaptado. Uma sugestão é que os remanescentes orgânicos sejam submetidos a uma temperatura maior do que os 75º C sugeridos pelo protótipo, atendendo exigências das leis ambientais.
Durante o dia de campo foi criado um grupo, liderado pelo Instituto Emater e Suinosul, para conduzir as discussões sobre as exigências legais para o uso do Ecodryer. Remi Sterzelecki, do Instituto Emater que organizou o dia de campo, afirmou que uma possibilidade que pode se concretizar é a formação de um consórcio de interessados pelo equipamento. “Poderia ser constituída uma cooperativa para buscar recursos e investir na construção e operação de uma usina de grande porte para a secagem de resíduos orgânicos, já que todos têm interesse em dar um uso adequado a esse material”, concluiu. Segundo Sterzelecki, os remanescentes de alimentos quando tratados termicamente podem ser utilizados na alimentação de aves e suínos sem problema. O grupo ainda vai analisar as exigências legais para a operação do equipamento e a literatura existente sobre o tratamento de restos de alimento para o uso na nutrição animal.

Edição – Jornalista Roberto Monteiro Júnior.

Contatos sobre secagem com Dr. Cirino Corrêa Júnior (41-3250-2145) e-mail plamed@emater.pr.gov.br, sobre o equipamento com Willen Alvise da SHV/Supergásbras (041-9181-3656) e-mail walvise@shvgas.com.br e sobre produção de suínos com Msc. Remi Sterzelecki (41-3250-2278) – e-mail remi@emater.pr.gov.br.
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