Histórico da Extensão Rural Oficial

Uma História de Compromisso Com a Agricultura do Paraná


O contexto atual

O Paraná hoje ocupa apenas 2,0% do território brasileiro. Por outro lado, a agricultura do Estado é responsável por 14% do VBP- Valor Bruto da Produção Agropecuária do Brasil, com quase 100 diferentes produtos.
A produção agrícola ocupa mais de 1 milhão de pessoas e é responsável por 16% do Produto Interno Bruto do Estado. A participação do setor do agro negócio alcança 35% do PIB.
Mesmo com a diversificação da economia estadual os negócios da agricultura têm sido fundamentais para o estado do Paraná.
Há 56 anos a realidade era bem diferente.

O meio rural paranaense na década de 1950 e o início da Extensão

A partir de meados da década de 50, no século passado, o meio rural paranaense, até então pouco conhecido, começou a ser desvendado. Os agricultores e suas famílias tiveram os primeiros contactos com extensionistas rurais. Os técnicos faziam muitas perguntas, percorriam as lavouras, olhavam as criações, analisavam as condições de vida das famílias e, principalmente, tomavam nota de tudo, também levavam informações e novidades sobre as formas de produção agrícola, saneamento, alimentação e outros temas de interesse das famílias.
Os contactos de extensionistas e agricultores passaram a ser freqüentes na forma de reuniões, visitas, dias de campo e outros métodos.

Reunião em escola, década de 60 Visita da assistente social
Reunião em escola da década de 60 Visita da extensionista em Economia Doméstica


As anotações resultaram nos documentos denominados “Realidade Municipal” com foco no rural, com informações fundamentais para o conhecimento da situação das atividades agrícolas e das condições de vida das famílias rurais além de indicarem caminhos para melhoria da qualidade de vida e de estratégias de “modernização” do setor rural. Esses documentos foram exaustivamente utilizados na formulação de planos e projetos, tanto pelos extensionistas quanto por prefeituras e outras organizações privadas.
Ações como: correção da acidez dos solos, formas de manejo das lavouras e criações, uso de sementes melhoradas e outras técnicas, bem como a introdução de práticas de saneamento básico foram amplamente trabalhados junto aos agricultores, às famílias e às comunidades.
O desenvolvimento de lideranças e a organização comunitária eram também fundamentais na implementação das ações técnicas. A partir delas foram estabelecidos mecanismos de aprimoramento das relações nas comunidades e dessas com o setor urbano e, em especial, com o poder público.

Um modelo é implantado
No início, em 1956, com 11 escritórios, os extensionistas eram funcionários do ETA -Escritório Técnico de Agricultura, cujos propósitos e métodos eram espelhados no sistema de extensão, implantado nos Estados Unidos da América.
Posteriormente com vistas a aprimorar os programas de crédito rural, às atividades dos extensionistas foram incorporadas responsabilidades de orientação técnica aos tomadores de financiamentos. A partir daí, em 1959, as funções do ETA foram assumidas por uma organização de utilidade pública denominada ACARPA - Associação de Crédito e Assistência Rural do Paraná.


Escritório de São Mateus do Sul
Escritório de São Mateus do Sul, dos primeiros da Acarpa, início da década de 60



Novas demandas exigem nova sistemática de atuação

A força da agricultura do Estado tem bases no espírito empreendedor dos agricultores que, a partir do início dos anos 1970 e, em especial, após a grande geada ocorrida em 1975, vislumbraram oportunidades na introdução da soja nos seus sistemas de produção, acompanhada da utilização de novas tecnologias. Em poucos anos, mesmo com a redução drástica das áreas de cultivo de café, o Paraná passou a desempenhar papel relevante na economia agrícola do País. Relevância sustentada nos níveis crescentes de produtividade.


Nessa empreitada os agricultores também puderam contar com a ACARPA. Essa organização liderou o processo de difusão de tecnologia no Estado do Paraná. Práticas de implantação e manejo de lavouras e criações, estratégias de controle de pragas e sistemas e processos de manejo e conservação de solos destacaram-se como fundamentais para sustentarem o crescimento da produtividade. Somente no Programa de Manejo em Microbacias foram incorporados mais de 7 milhões de hectares da área cultivada no Paraná com práticas adequadas de manejo de solos, que propiciaram condições para implantação dos sistemas de “plantio direto”. Estas e outras tecnologias foram sendo incorporadas aos sistemas de produção através de metodologia de extensão rural e mudaram a paisagem rural do Paraná.


A importância das parcerias e das políticas públicas

A disponibilização de tecnologias e sua adequação às condições do Paraná se realizaram graças à integração com as organizações de pesquisa agropecuária, especialmente com o IAPAR - Instituto Paranaense de Pesquisa Agropecuária e com a EMBRAPA -Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

A produção agrícola do Paraná é realizada em estabelecimentos de pequena escala, 85% dos estabelecimentos do Estado se enquadram na categoria Unidade Produtiva Familiar. São mais de 300 mil estabelecimentos.

Nessa dimensão, para possibilitar e sustentar as mudanças desejadas, alem da informação, orientação e capacitação dos agricultores, foram implementadas estratégias de facilitação do acesso dos agricultores às políticas públicas e de organização da produção e dos agricultores.

Das políticas públicas os programas de Crédito Rural e a Política de Preços Mínimos foram fundamentais no acesso dos agricultores às novas tecnologias. Ao mesmo tempo, junto com outras organizações, foi desenvolvido um enorme esforço na organização dos produtores em cooperativas. Foram desenvolvidos projetos regionais de cooperativismo. Esses projetos frutificaram e propiciaram as bases e as condições iniciais para a consolidação do mais importante sistema cooperativista agrícola do Brasil.

Durante esse período, ainda nos anos setenta, em 1977 é criada a EMATER - Paraná, empresa pública de direito privado, com a finalidade de absorver as atividades da ACARPA, que iniciou seu processo de extinção.

Na medida em que contribuía para os avanços da agricultura do Paraná, a EMATER procurou também manter-se na vanguarda da difusão de tecnologia para o meio rural e, ao mesmo tempo, ficar atenta às consequências das mudanças junto às comunidades mais pobres, aos efeitos no meio ambiente e aos impactos das mudanças nos pequenos municípios, principalmente naqueles enquadrados como “municípios rurais”.


A Era dos Programas
Trabalho do Programa de Manejo de Solo e Água em Microbacias
Trabalho do Programa de Manejo de Solo e Água em Microbacias

Já nos anos 90 do século passado, a EMATER participou na formulação e implementação de programas para as regiões com baixa aptidão agrícola com vistas à inclusão social e econômica das comunidades mais pobres. Nesses casos, além das atividades de melhoria de renda, foram ampliadas as ações com a família, com as mulheres e com os jovens, incluindo ações de melhoria de renda, de habitabilidade e de saneamento básico. Essas ações executadas pela EMATER foram apoiadas pelo Programa Paraná 12 Meses.


A visão de territórios


Nas regiões com predominância de “municípios rurais” em especial naquelas com restrições a atividades agrícolas intensivas, a EMATER, junto com as atividades de difusão de tecnologia apropriada e de facilitação do acesso às Políticas Públicas, vem apoiando a mobilização e organização da população na direção da construção de um desenvolvimento sustentado. Essa atividade inclui a mobilização da população e da articulação das organizações locais em torno de Projetos de Desenvolvimento Territorial. Atualmente, a EMATER tem participação ativa em pelo menos 20 iniciativas regionais de Desenvolvimento Territorial.

Em 2005, o regime jurídico foi modificado, passando de empresa para a condição de autarquia com a denominação Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER.


Um novo papel

Atualmente, o setor rural, os agricultores e o agronegócio têm novos desafios e demandas mais complexas. Por outro lado, a atividade Assistência Técnica e Extensão Rural tem mais e novos atores; as prefeituras, as cooperativas, as ONGs e as empresas. Como uma organização pública oficial e tendo como norteadora a Lei Estadual de ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural - Lei 17447 - 27 de Dezembro de 2012, o Instituto Emater incorpora mais um papel e mais responsabilidades não só para executar ações de assistência técnica, mas também o de apoiar e promover a articulação harmônica desses atores em prol do desenvolvimento do Estado do Paraná.

Para cumprir bem seu novo papel, o Instituto se volta para ações de modernização e aperfeiçoamento de seu modelo de gestão, que contemplem não só o seu fortalecimento como também busca implementar ações que resultem no fortalecimento de todos os demais atores, visando a ampliação da Assistência Técnica de qualidade à um numero também maior de agricultores beneficiários.

A caminhada da Extensão Rural do Paraná, configurada na organização oficial EMATER, tem sido gratificante e exitosa mesmo que, em vários momentos os obstáculos e as dificuldades pudessem parecer intransponíveis, mas valeu a pena.

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